“Insonia e não querer dormir. Não ter sono e nem ter vontade de ter. Não era assim, mas nos últimos dias assim era ela. Não tem vontade de conversar com você, nem com ele e nem com outro qualquer. Tem amigos e não vê no que eles podem ser amigos, mas os ama, e espera que eles saibam disso, mas tem certeza que não sabem…
Ela tem estado aqui, mas não acha que aqui seja o mesmo que antes. Tem sentido que está parada no meio de um monte de coisas, debaixo da cidade, nas ruas, na faculdade, no seu quarto, em frente a uma folha de papel vazia, debaixo do retrato de um cara que só trocou duas palavras na vida… E esqueçamos o cara, por favor, não vamos fazer disso algo sobre caras ou sobre amor. Deus sabe que o mundo não precisa de mais uma garota assim.
Ouve conversas e piadas e consegue rir, consegue conversar, mas só conversa e ri e nada além. Volta pra casa escutando essa banda de Nova York e sente como se a banda falasse com ela, e é mal, vamos mal. Quando ela sente a música e não sente o seu ao redor, estamos indo por um mal caminho.
Comer frutas e comer cereais, está tentando isso, está tentando comer direitinho, ser saudavel, não fumar, não beber, não ir a festas. A noite, as vezes, pensa que no dia seguinte é melhor fumar um pouco de maconha com seu fiél amigo, mas quando chega a hora, fica com preguiça, porque sabe que é só um pedaço dela que vai flutuar por um tempo e logo estará de volta com os pés no chão.
Tem estado com os pés no chão… mal sinal.
Tipo uma adulta.
Tipo adulta.
Tudo que ela achou que não seria…
E seu objetivo tem mudado de qualquer outro para “quero ser uma pessoa melhor”, e agora está até acreditando em coisas divinas, em milagres. É, está acreditando e não está com vergonha nenhuma de dizer. Tem visto algumas coisas darem certo e só pode acreditar que não está sozinha nesse universo. Há alguém lá em cima olhando por ela.
Tem admirado a coragem das pessoas que brigam, que falam alto, que mandam os outros para qualquer lugar que seja um palavrão bem mal educado.
Criou admiração verdadeira por pessoas bravas.
No fim, acha só que tem se assustado frequentemente com o mundo, estado com medo. Tem estado num estado que nunca esteve antes. Não está triste, não está feliz, só está aqui. “
”- É a minha pressão – ela disse parecendo grogue – Está caindo… - a voz dela desceu um falsete e ela piscou revirando os olhos. Eu a apertei contra mim, o desespero me fazendo achar que se eu a segurasse com mais força talvez ela não desmaisse. E então, ela realmente não desmaiou, mas ficou parecendo semi-incosciente. Meu coração acelerou nervosamente e eu a arrastei para perto da pia.
(…)
Estou atrasado, desculpe – eu disse cumprimentando todos com um toque de mão - Minha namorada está meio doente, tive que ajudá-la.”